Por Colunista Social Nilo Araújo
Em 10 de agosto de 2025
Na manhã desta última sexta-feira, dia 9 de agosto, a Câmara Municipal de Vereadores de Miguel Alves, presidida pelo vereador José Pereira Rodrigues da Silva, logo após a realização de mais uma Sessão Ordinária, fez solenidade de inauguração de um novo Posto de Identificação, que recebeu o nome da saudosa e querida miguelalvense MARIA DE FÁTIMA FERNADES, que era carinhosamente conhecida por DONA PRETINHA, sendo esta conquista, através de Decreto Legislativo 08/2025, votado e aprovado do vereador e atual presidente José Pereira.
Esse evento, reuniu além da maioria dos parlamentares, diversas outras autoridades local , estadual e familiares da homenageada, entre elas, estiveram presentes, o deputado estadual Severo Eulálio, prefeito Veim da Fetraf acompanhado da Primeira-dama e Secretária de Assistência Social, Naiana Leal, Vice-prefeito Adail Júnior, entre outras.

Em destaque – Presidente da Câmara de Vereadores de Miguel Alves-PI, José Pereira Rodrigues da Silva
Conheça aqui, um pouco da trajetória de vida da inesquecível miguelalvense Maria de Fátima Fernandes,que era carinhosamente chamada de Dona Pretinha, tendo falecido em 23 de junho de 2024,tendo o seu honrado, admirado e querido nome homenageado com o novo Posto de Identificação, localizado na sede da Câmara de Vereadores de Miguel Alves.
MARIA DE FÁTIMA FERNANDES

Nascida em 24 de dezembro de 1953, no município de Miguel Alves, Piauí, Maria de Fátima Fernandes veio ao mundo sob a luz de uma véspera de Natal — data que, por si só, já anunciava a chegada de alguém especial. Mulher negra, a mais nova de sete irmãos, enfrentou desde cedo a dureza das privações, mas carregava nos olhos o brilho de quem já nascera para transformar realidades. Era uma mulher feita de coragem, moldada pela escassez, mas guiada por uma abundância de amor ao próximo.
MARIA DE FÁTIMA FERNANDES(DONA PRETINHA)
Foto: (Arquivo da família)
A história de Maria de Fátima não se limita às paredes de sua casa: ela pertence ao povo. Ainda jovem, casou-se e tornou-se mãe — não apenas dos filhos que gerou, mas também de dezenas de outras vidas que acolheu como suas. Sua casa foi sempre um abrigo para os necessitados, um espaço onde a comida era repartida sem cálculo, onde a escuta era generosa e onde havia lugar para todos. Seu coração não conhecia fronteiras: bastava uma necessidade para que ela agisse.
Mesmo sem escolaridade formal na infância, aprendeu a ler e a escrever após o casamento, e com isso ampliou seu alcance como figura de referência comunitária. Não havia burocracia que ela temesse enfrentar. Guiada por um senso natural de justiça e solidariedade, tornou-se uma verdadeira agente de transformação social. Seu carro — fosse uma Brasília, uma Belina ou um Fiat Uno — era uma extensão do seu coração: vivia lotado de gente, de problemas e de esperança.
De Cupins a Miguel Alves, de Cupins a Teresina, ela levava e trazia pessoas que precisavam resolver questões de aposentadoria, saúde, documentos, ações na justiça, tratamento médico. Ela era, ao mesmo tempo, motorista, conselheira, defensora e amiga. Atuava como uma assistente social nata, sem jamais ostentar qualquer cargo ou título formal. Sua atuação era espontânea, movida exclusivamente pelo desejo sincero de ver o outro bem. Nunca cobrou por um favor, nunca esperou reconhecimento. Fazia porque sentia que era sua missão.
Com os anos, Maria de Fátima se tornou uma referência viva de filantropia popular. Era a mulher a quem todos recorriam, e nunca saíam de mãos vazias. Cuidava de idosos sozinhos, ajudava mães solteiras a criarem seus filhos, intermediava conflitos familiares, acolhia jovens perdidos, orientava sobre direitos que nem mesmo o poder público fazia chegar. Conhecia os caminhos das repartições públicas, os nomes dos médicos, os atalhos das leis e, acima de tudo, os labirintos da alma humana. Sabia ouvir, sabia acolher, sabia agir.
A cozinha de sua casa era seu palco de amor. Ali, entre panelas fumegantes e conversas animadas, ela cultivava a união, o riso e a partilha. O alimento que preparava era sagrado — não apenas porque nutria o corpo, mas porque curava feridas da alma. Sentava à mesa rodeada de filhos, netos, vizinhos e amigos, contando histórias de vida, ensinando com leveza e transmitindo valores eternos. Aquela mesa não era apenas de refeições — era um altar de comunhão, um símbolo do seu dom de reunir.
Quando a doença apareceu, em forma de um câncer impiedoso, ela a enfrentou com uma força que poucos imaginavam. Por quase dois anos, lutou sem jamais perder a esperança ou a dignidade. Enfrentou internações, exames, dores — mas nunca perdeu a fé nem o bom humor. Queria viver não apenas por si, mas para continuar cuidando dos seus. Sua luta foi uma última lição de bravura.
Maria de Fátima Fernandes faleceu no dia 23 de junho de 2024, e desde então o Piauí ficou um pouco mais silencioso, um pouco menos quente. Mas sua história — essa história grandiosa de amor, entrega e resistência — permanece viva na memória de quem a conheceu. Porque Maria de Fátima não era apenas uma mulher: era uma instituição viva, um exemplo de cidadania ativa e generosa, uma ponte entre as necessidades do povo e os caminhos da solução.
Hoje, seu legado ecoa. Ela nos ensinou, com a prática, que mudar o mundo começa por estender a mão ao vizinho. Que justiça se faz com empatia. Que dignidade é permitir que o outro também sonhe. E que ser grande é colocar-se à disposição do outro sem nada exigir. Sua vida é uma dessas que não cabem em um túmulo — ela se espalha pelos rostos que ajudou, pelos nomes que orientou, pelas vidas que transformou.
Maria de Fátima Fernandes não foi apenas uma avó, uma mãe, uma amiga. Foi uma líder comunitária nata, uma filantropa de alma, uma mulher que não esperou o poder público fazer: ela mesma fazia. E fez tanto, por tantos, por tanto tempo, que se tornou inesquecível.
Em cada esquina de sua cidade, há alguém que pode contar uma história de ajuda, uma lembrança de sua generosidade. Em cada lar que conheceu sua bondade, há um pouco dela. E em cada criança, jovem, adulto ou idoso que cruzou seu caminho, há um pedaço da sua obra.
Maria de Fátima foi e continuará sendo a personificação do que há de mais bonito e necessário na vida pública: o serviço ao outro. Seu nome permanecerá não apenas nas lembranças — mas em ruas, centros, escolas, espaços que, ao homenageá-la, resgatam o que ela sempre representou: cuidado, compromisso, amor.
E que assim seja: que sua biografia inspire outras Marias, outras Fátimas, outras pessoas comuns com gestos extraordinários. Porque, no fim, é assim que se muda o mundo — de dentro pra fora, de um coração para outro. Como ela fez. Como só ela sabia fazer.

A inauguração do posto de identificação e a homenagem a inesquecível miguelalvense Maria de Fátima Fernandes(Dona Pretinha) destacam a importância da sua memória e do reconhecimento público nesse município. O local, agora denominado em memória da suplente de vereadora, servirá como um centro de atendimento para a emissão de documentos, facilitando o acesso da população a serviços essenciais.
Esta iniciativa que partiu do Poder Legislativo na pessoa do seu presidente, vereador José Pereira, demonstra o compromisso das autoridades locais em valorizar figuras importantes da história da cidade e em oferecer serviços que atendam às necessidades da população. O posto de identificação é um exemplo de como a colaboração entre diferentes órgãos pode trazer benefícios significativos para a comunidade.

Familiares da homenageada Maria de Fátima Fernandes


Em destaque – Prefeito Veim da Fetraf

Em destaque – Deputado Severo Eulálio

Em destaque – Primeira – dama do município de Miguel Alves e Secretária Municipal de Assistência Social, empresária e esteticista Naiana Leal



Matéria publicada pelo Professor e Colunista Social Nilo Araújo
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